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Terça, 26 de março de 2002, 15h50 | Tamanho do texto: A- A+

Ponte Sérgio Motta será inaugurada hoje

Jairo Sant´Ana

Ponte Sérgio Motta será inaugurada hoje

Com ela, somam 52 pontes, construídas através do Programa Pontes de Concreto, num total de US$ 65 milhões

Jairo Sant´Ana

Marco Vergueiro
Visita da Ponte Sérgio Motta

“Esta é uma das mais belas e importantes obras do nosso governo, por ligar as duas maiores cidades do Estado, abrir uma nova alternativa de tráfego e atender parcelas significativas tanto da população de Várzea Grande quanto de Cuiabá. A Ponte Sérgio Motta é um marco da modernidade de Mato Grosso, no início deste novo século”. A declaração é do governador Dante de Oliveira, que participa hoje (quarta-feira, 27/03), em Várzea Grande, ao lado do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, da inauguração da Ponte Sérgio Motta, em homenagem ao ex-ministro das Comunicações, já falecido. Estão confirmadas, ainda, as presenças de Vilma Motta (viúva de Sérgio Mota) e dos governadores Marcondes Perilo (Goiás) e Albano Franco (Sergipe).

Considerada, no país, a terceira do modelo estaiada (sustentada por cabos), antes mesmo de sua inauguração já gerava expectativa de um choque econômico em um dos maiores conglomerados populacionais de Várzea Grande – a região do Cristo Rei, formada por 32 bairros e habitados por 100 mil habitantes, uma das grandes beneficiárias, do lado varzeagrandense, da obra.

“A ponte Sérgio Motta vai expandir a economia do grande Cristo Rei, incrementando o intercâmbio da região com Cuiabá. Com a facilidade de acesso e um fluxo maior de pessoas nesta região, o movimento no comércio – cerca de dois mil estabelecimentos - terá um crescimento extraordinário”, disse o presidente da Associação Comercial e Industrial de Várzea Grande (Acivag), Carlos Multiforte, há menos de duas semanas, quando empresários e moradores do Cristo Rei homenagearam o governador Dante de Oliveira, em agradecimento à construção da ponte.

Ainda no mês passado, durante uma vistoria do canteiro de obras em companhia de Dante de Oliveira, a ex-prefeita de Várzea Grande, professora Sarita Baracat, lembrou que “este era um sonho de mais de 30 anos da população. Esperamos exatamente 33 anos por esta obra, que dará um grande impulso ao nosso município”.

O teste de resistência foi há duas semanas, quando 32 caminhões, pesando em média 25 toneladas cada, foram colocados em sua parte central e, no dia seguinte, nas extremidades. Uma avaliação final das condições de segurança e qualidade. Um procedimento comum em estruturas de grande porte, explicou o secretário de Transportes, Vitor Candia.
Acesso - Com 312 metros de comprimento, 22 de largura e pista dupla e um investimento de R$ 15 milhões, a Ponte Sérgio Motta é a última de uma série de 52, do Programa Pontes de Concreto, a ser entregue à população. A obra é completada com o acesso – tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande. São 3,5 quilômetros de extensão, pistas duplas com 7,2 metros de largura, acostamento, canteiro central e calçadas. Há, ainda rotatórias nos entroncamentos das avenidas Beira-Rio, em Cuiabá, e Dom Orlando Chaves e Alameda Julio Muller, em Várzea Grande. Mais um investimento de R$ 4,5 milhões.

Pontes de Concreto – Foram 47 mil metros quadrados de pontes de concreto construídas em rodovias estratégicas que integram os corredores de exportação, encerrando o tempo em que a interrupção do tráfego nas rodovias, devido à precariedade das pontes de madeira, ou pelo uso de balsas, era uma realidade mato-grossense.

O Programa Pontes de Concreto do Governo do Estado, no valor de US$ 65 milhões, financiado com recursos italianos com a contrapartida estadual, foi criado para complementar a implantação do sistema multimodal de transporte e dos corredores de exportação.

Pontes de grande extensão foram construídas em diversas regiões que, com freqüência, ficavam isoladas. Sobre o rio Teles Pires foram construídas duas pontes - uma em Sinop, com 300 metros de extensão, e outra em Sorriso, de 200 metros - assegurando o acesso a toda a região Norte do estado. Sobre o rio Juruena, entre Brasnorte e Juína, foi construída uma ponte de 300 metros, uma antiga luta da população da região, e na região do Araguaia, a ponte sobre o rio Culuene, em Canarana, de 150 metros.
Estas pontes substituíram as antigas balsas, símbolo de obstáculo à modernidade. Nestas rodovias, antes das pontes, o tráfego era interrompido diariamente às 6 da tarde (18 horas), sendo reaberto apenas no dia seguinte, às 6 das manhã, sem contar que o tempo de travessia era de, no mínimo, 20 minutos.

Entre as grandes obras do programa se destaca, porém, a Ponte Sérgio Motta, que liga o bairro Praeiro, em Cuiabá, ao Cristo Rei, em Várzea Grande. A ponte pênsil, uma verdadeira obra de arte da engenharia, cria uma nova alternativa de comunicação entre as duas cidades, desafogando o trânsito e proporcionando mais conforto e facilidade de deslocamento a milhares de habitantes.
“A Ponte Sérgio Mota era um sonho antigo, que eu alimentava desde quando fui prefeito de Cuiabá. É uma obra de forte impacto social, pois facilitará a vida de milhares de pessoas das nossas duas maiores cidades. Além disso, é o novo cartão postal de Cuiabá e Várzea Grande”, comemora o governador Dante de Oliveira.

Frete mais barato

A construção das 52 pontes de concreto – incluindo a Sérgio Motta – no estado não apenas tem facilitado o escoamento da produção agropecuária como tem reduzido o custo de transporte. Em dezembro do ano passado, por exemplo, durante a inauguração da ponte, de 200 metros de extensão, sobre o rio Teles Pires, ligando Sorriso a Tapurah, na MT 242, o produtor rural Rogério Führ desabafou: “Graças a Deus, esse tormento acabou”.

Ele se referia ao fato de gastar todos os anos o equivalente a um carro novo, de nível A ou cerca de R$ 40 mil, para utilizar a balsa que fazia a travessia dos veículos antes da ponte de concreto. “Se eu colhesse 60 mil sacas de soja, 14 mil sacas eram para pagar a travessia da balsa”, completou Reni Pigatto.

A mesma reação teve o empresário do setor de transporte, Odemar Schenatto, durante a inauguração da ponte de concreto, também sobre o Teles Pires, porém ligando Sinop a Porto dos Gaúchos, na MT 220. Segundo ele, a redução do frete seria entre 10 e 15 por cento. Para se ter uma idéia, a região é responsável por dois milhões de cabeças de gado bovino.

Histórico – Uma das maiores do Programa Pontes de Concreto, com 300 metros de extensão – a Sérgio Motta possui 312 metros – a ponte sobre rio Juruena, na MT 170, inaugurada em setembro do ano passado, tem uma história. O caminhoneiro Vilmar Bressan, que há 20 anos transporta madeira da região para o Sudeste brasileiro, foi o primeiro motorista a atravessar o rio sobre a nova ponte.

Ele, que passa quatro vezes ao mês pela estrada, disse, feliz da vida, durante a inauguração: “Com a ponte, vou economizar R$ 240 por mês. É uma das mais importantes conquistas para nós, que trabalhamos com caminhão”. “Estávamos praticamente isolados. Com a ponte, teremos melhores perspectivas para o futuro”, garantiu o pecuarista José Nilo Bergamin, da região.

Desvio do trânsito - Há casos em que as pontes de concreto serviram para desafogar o trânsito do centro da cidade. Um exemplo claro é a ponte sobre o rio Arareau, em Rondonópolis, inaugurada em março do ano passado. Com 60 metros de extensão, uma de suas principais virtudes foi permitir o funcionamento do Anel Viário da cidade, paralisado 12 anos justamente porque a sua construção não havia sido prevista.

Para se ter uma idéia, o anel viário de Rondonópolis, de 20 quilômetros, retira da cidade todo o tráfego de caminhões na MT-270, responsável pelo escoamento da safra agrícola da região do Chapadão Diamantino, calculada em 200 mil toneladas. “Não vamos mais correr o risco de ver carretas e mais carretas passar pela nossa porta, colocando em risco a vida de nossas crianças”, desabafou, naquele dia, o cidadão Ademir Nunes Viana, morador do bairro Liberdade, em Rondonópolis, um dos mais beneficiados pelo anel viário.

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